O Zeppelin em Santa Cruz

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Reprodução web
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Não, não! Robert Plant e Jimmy Page nunca tocaram “Stairway To Heaven” no bairro carioca. O que serviu de inspiração (reza a lenda) para o nome da tão famosa banda de rock (Led Zeppelin), sobrevoou nossas terras na primeira metade do século XX; o dirigível alemão Graf Zeppelin.

Tombado pelo IPHAN, o “Hangar do Zeppelin” na Base Aérea de Santa Cruz é um marco histórico, tanto da cidade como do bairro. Das inúmeras viagens feitas entre a Alemanha e o Rio de Janeiro na década de trinta, a primeira certamente foi a mais empolgante. O Graf Zeppelin partiu de Friedrichshafen, no dia 18 de Maio de 1930, realizando uma escala em Recife três dias depois, até finalmente pousar no Campo dos Afonsos no dia 25. Como resultado da bem-sucedida empreitada, o governo brasileiro autorizou a empresa alemã fabricante do dirigível, a construir um aeroporto apropriado nas imediações da Baía de Sepetiba em Santa Cruz em 1933. No ano seguinte as obras tiveram início sendo o hangar, inaugurado em Dezembro de 1936, com a ilustre presença do presidente Getúlio Vargas; nascia o aeroporto Bartolomeu de Gusmão, futura Base Aérea de Santa Cruz.

Nessa época o trânsito aéreo se intensificou. Eram necessários centenas de homens na pista para auxiliar na chegada do monstro voador. Um desses, o senhor Alventino José de Sousa, ex-funcionário do hangar, testemunhou os eventos daquela época numa euforia orgulhosa: “…muito difícil a aterrissagem.

Ele jogou um rolo de corda e a rapaziada segurou. Veio contornando, contornando, até a cabine dele se aproximar da terra. A cabine, localizada na retaguarda, ficava apoiada numa carreta… puxava ele!

Quando chegava em cima do trilho, certinho, nós gritávamos ‘Amarra!’… tava amarrado. Prendia ele nos trilhos e empurrava para dentro do hangar”.

Todavia essa aventura durou pouco.

O último dirigível partiu daqui rumo a Europa em 1937. Dois modelos principais foram utilizados no decorrer nas viagens transatlânticas; o já citado Graf e o famoso Hindenburg, que foi o palco da histórica tragédia no mesmo ano, com sua explosão na Alemanha. O final da década de 30 já anunciava animosidades entre os dois países. Vargas, um simpatizante do fascismo alemão, pendeu para o lado dos norte americanos após a eclosão da Segunda Guerra Mundial em Setembro de 1939. Assim nasceu a atual base aérea em 1941, de forma a somar no esforço de guerra aliado, marcando para sempre a história da cidade e do país como um todo.

Por: Vitor Luiz Leite – Matéria publicada na edição impressa de março. Confira:  http://migre.me/wfaAK

Miniatura página da edição impressa

 

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